Feche os olhos e imagine uma praia. Se você não consegue "ver" nada — apenas escuridão — você pode ter afantasia, a incapacidade de formar imagens mentais voluntárias.
A capacidade de formar imagens mentais existe em um espectro. De um lado, a hiperfantasia — visualização tão vívida que se confunde com a realidade. Do outro, a afantasia — a ausência completa de imagens mentais voluntárias. O termo foi cunhado pelo neurocientista Adam Zeman em 2015, na Universidade de Exeter.
Espectro de visualização mental
Baseado no Vividness of Visual Imagery Questionnaire (VVIQ) — Marks, 1973
A afantasia não significa falta de imaginação — significa imaginar de um jeito diferente, sem imagens visuais na mente.
Não consegue visualizar o rosto de pessoas queridas, mesmo acabando de vê-las.
Ainda reconhece as pessoas ao vivoNão forma imagens de lugares visitados. Pode descrever fatos, mas não 'ver' a cena.
Memória factual permanece intactaAo pedir para imaginar uma maçã, não aparece nenhuma imagem — apenas o conceito abstrato.
Sabe o que é, mas não visualizaO raciocínio funciona normalmente. Afantásicos pensam em conceitos, palavras e lógica.
Inteligência não é afetadaAlguns afantásicos sonham com imagens, outros não. A experiência varia bastante.
Pesquisa ainda em andamentoA afantasia pode afetar também a imaginação auditiva, olfativa e tátil — ou apenas a visual.
Multissensorial em alguns casosA pesquisa sobre afantasia é relativamente nova, mas os achados já revelam diferenças reais na atividade cerebral de quem não forma imagens mentais.
Após uma cirurgia cardíaca, o paciente MX perdeu completamente a capacidade de visualizar imagens mentais. Esse caso motivou Adam Zeman a investigar o fenômeno.
Zeman e colegas da Universidade de Exeter publicam o estudo que cunha o termo 'aphantasia', baseado no grego antigo — a (sem) + phantasia (imaginação).
Estudos com fMRI mostram que pessoas com afantasia apresentam atividade reduzida no córtex visual durante tarefas de imaginação, com maior ativação em áreas de controle cognitivo.
Pesquisas recentes exploram a relação entre afantasia, memória autobiográfica, criatividade e sonhos. Universidades na Austrália, Reino Unido e Canadá lideram os estudos.
"Aphantasia is not a disorder — it is a fascinating variation in human experience that challenges fundamental assumptions about the nature of thought."
— Prof. Adam Zeman, Universidade de Exeter
Ter afantasia não significa ter menos capacidade cognitiva. É uma variação natural de como o cérebro processa informações — assim como ser canhoto ou ter sinestesia. Muitas pessoas vivem a vida inteira sem saber que pensam diferente.
Criou um dos maiores estúdios de animação do mundo sem conseguir visualizar imagens na própria mente.
Descobriu que tinha afantasia aos 30 anos e escreveu um ensaio viral sobre a experiência.
Responsável por personagens icônicos como Ariel e a Fera, descreveu dificuldades com visualização mental.
Afantásicos encontram seus próprios caminhos para criar, lembrar e resolver problemas — usando pensamento verbal, espacial, lógico e conceitual. Não existe um jeito "certo" de pensar.
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